René Guénon: SÍMBOLOS DA CIÊNCIA SAGRADA
Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Jean Canteins: MISTÉRIOS E SÍMBOLOS CRÍSTICOS
Em hebreu este nome é Yeshu (u se pronuncia ou, donde derivam as formas gregas: Iesous (vocativo: Iesou) e latina: Iesus (vocativo: Iesu); seja, nos três casos uma palavra bisilábica. Conjuntamente a esta forma “breve” trileteral (YshV), existe uma forma “longa” quadriliteral (YshV'): YeShu'a. é mais que uma simples variante onomástica pois, semanticamente, ela tem por raiz Ysh' cujo sentido: “salvar” / “salvação” não pode ser indiferente, tratando-se de Jesus. Por outro lado, ao hebreu YeShu'a se contrapõe o árabe 'Isa. Os dois nomes têm em comum a letra 'Ayn, específica das línguas semitas. Inexplicavelmente, esta letra se encontra em posição terminal em YeShu'a e em posição inicial em 'Isa. É pela adjunção do 'Ayin que se passou da forma bissilábica YeShu à forma trissilábica (e quadriliteral) YeShua'a. Veremos adiante as implicações cabalistas que foram tiradas. 'Isa é igualmente quadriliteral ('YSY) mas somente bissilábica, os Ya só figuram como matres lectionis, o primeiro para “alongar” a vocalização I do 'Ayn inicial, o segundo para “alongar” a vocalização A do Sin final. Contra toda expectativa, Ísa se escreve sem Vav o que tem por consequência a ausência do fonema U, específica no entanto do Nome de Jesus nas três outras línguas. Lexicalmente, este nome figura sob a raiz 'YS, que não é significativa, o que dá a pensar que se trata de uma associação artificial. Para o mundo arabofônico, Jesus é um nome estrangeiro ao qual a língua árabe deu uma morfologia “anormal” que não se calca sobre nenhum dos dois nomes hebraicos. Trata-se aí de um fenômeno nada excepcional em onomástica mas é hoje em dia difícil de determinar o processo: a pronunciação aramaica, as deformações do fato dos transmissores orais e dos escribas devem ter participado, sem prejuízo de outros fatores que escapam a toda apreensão.
O exame comparativo que precede faz do nome hebreu Yeshu'a um nome aparte cuja particularidade é ainda acentuada pela dupla estrutura quadriliteral e trissilábica. Como indicamos em “Phonèmes et Archétypes” e “La Voie des Lettres”, esta dupla condição caracteriza o Tetragrama. No entanto, adorar ou equiparar, indistintamente, o Nome de Jesus e o Nome de Deus (IHWH ou Allah) não pode ser o fato de um judeu, mesmo cabalista, ou de um sufi, as implicações, entre outras “encarnacionistas”, de uma tal aproximação sendo não somente não receptíveis mas formalmente condenáveis por sua própria tradição. A iniciativa é portanto vinda do “cabalistas cristãos”. Para melhor apreciar sua argumentação, releiamos o que está escrito por Reuchlin (a referência em “Phonèmes et Archétypes” deve ser corrigida e lida na “Arte cabbalistica III: (...) Tudo o que os cabalistas podem com o Nome inefável (...), os verdadeiros cristãos o podem de uma maneira mais eficaz com o Nome pronunciável de Jesus (...) Eles estimam que “eles pronunciam bem mais justamente o Nome Tetragrama no Nome YHSHVH, o verdadeiro Messias (...)”.
Jacob Boehme sistematizará a proposta ortografando o Nome de Jesus sob a forma IESHOUA, seja a sequência das vogais latinas na ordem IEOUA ampliada do Shin hebraico (Mysterium Magnum). Aquele que não se satisfaz de tal sincretismo linguístico pode transcrever foneticamente o Nome divino YHWH ainda mais impunemente na medida que sua pronuncia exata está perdida, já há muito tempo, dos judeus eles mesmos por conta de dela não ter perpetuado a forma — na prática, um nome de substituição sendo empregado em seu lugar. Jacob Boehme, por seu lado, tirará deste nome híbrido todos os tipos de especulações engenhosas.